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Episódios 

2ª TEMPORADA

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Foto: Thilo Mechau,
Arquivo Vilém Flusser, Berlim

1 - Vilém Flusser
filósofo, professor, escritor

Praga, 12.5.1920 - Praga, 28.11.1991

No Brasil, de 1940 a 1972 

“Para Vilém Flusser, filosofar significava criar o espanto.” A frase é de sua amiga e discípula, a advogada, produtora de televisão, Maria Lília Leão, e define bem a personalidade desse intelectual europeu de Praga que viveu 32 anos no Brasil. Personagem paradoxal, aparentemente contraditório, às vezes beirando a arrogância, seus trabalhos pertencem ao patrimônio filosófico mundial e fazem parte de um legado que ainda não foi integralmente resgatado. Nosso podcast discute algumas de suas principais ideias, além de contar a sua fuga do nazismo e a vida em São Paulo. Logo ao chegar, ainda no porto do Rio de Janeiro, soube que a família havia sido assassinada em campos de concentração.

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Foto: Frank Beseler

2 - Hanna Levy Deinhard

historiadora da arte, educadora, crítica de arte

Osnabrück, Alemanha, 29.9.1912 - Basileia, Suíça, 14.7.1984

No Brasil, de 1937 a 1947

Hanna Levy Deinhard, judia alemã que chegou ao Brasil em 1937 fugindo do nazismo, foi uma das mais importantes historiadoras da arte do seu tempo, cujo valor demorou a ser reconhecido. Precisou dar aulas de tango no Rio de Janeiro antes de trabalhar no Instituto do Patrimônio, tornando-se uma especialista em Aleijadinho, e depois de aprender o português, um dos cinco idiomas que dominava. Hanna Levy desenvolveu um método de formação de adultos, dando palestras nos museus, em frente às obras originais. Promoveu jovens artistas como Roberto Burle Marx e Bruno Giorgi. Sua vida foi um drama de exclusão, expulsão e exílio.

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Foto: Acervo de família 

3 - Otto Gottlieb 
químico, pesquisador, professor

Brno, atual República Tcheca, 31.8.1920 - Rio de Janeiro, 19.6.2011

No Brasil, de 1939 a 2011


Otto Gottlieb fugiu do nazifascismo na antiga Tchecoslováquia com a mãe brasileira, que era de Petrópolis. Quando chegaram ao Brasil, ele tinha 19 anos e aos 21 optou por ser brasileiro. Sua brilhante trajetória fez com que o cientista fosse indicado três vezes para o Prêmio Nobel de Química, em 1998, em 1999 e 2000. A torcida pela ciência no país do futebol lamentou as três “bolas na trave”. Otto tornou-se um craque no estudo das propriedades químicas das espécies nativas no país, sobretudo as da rica Mata Atlântica. Percebeu as aplicações medicinais e culinárias da canela. Apaixonado pela Amazônia, pesquisou o efeito antiinflamatório da casca do tronco das neolignanas. Foi pioneiro ao demonstrar o impacto da ação humana na fauna nas bordas da floresta, onde começam os desmatamentos. Gottlieb deixou um legado de 700 artigos científicos. O nosso podcast recupera uma entrevista em que ele, de viva voz, antecipava muito do que acontece hoje no clima do mundo.

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Foto: Acervo Instituto
Fayga Ostrower 

4 - Fayga Ostrower 
artista plástica, teórica da arte, professora

Lodz, Polônia, 14.9.1920 - Rio de Janeiro, 13.9.2001

No Brasil, de 1934 a 2001

 

Fayga nasceu em Lodz, na Polônia. Tinha 13 anos quando ela, seus três irmãos menores e a mãe atravessaram a floresta a pé, durante a noite, em silêncio, para chegar à Bélgica e tomar um navio para o Brasil fugindo dos nazistas. Um dos momentos mais tensos foi quando seu irmão David, de seis anos, começou a cantarolar, achando que era uma excursão e eles quase foram descobertos. Fayga tornou-se uma das artistas gravadoras mais importantes de sua geração. Seu professor de xilogravura foi o austríaco Axl Leskoschek, também refugiado. Também foi pintora. Transitou do figurativismo expressionista para a abstração. Foi premiada na Bienal de São Paulo em 1957, no ano seguinte na Bienal de Veneza e consolidou uma enorme reputação internacional, não só pelos prêmios que recebeu, como por seu ecletismo desenhando joias, ilustrando livros, capas de disco e criando tecidos estampados. Também teve uma profícua carreira como educadora. Sua filha Noni Ostrower tem sido a guardiã de seu acervo e memória. Ela participa do podcast.

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Foto: Acervo de família 

5 - Giorgio Mortara
demógrafo, estatístico, economista

Mântua, Itália, 4.4.1885 - Rio de Janeiro, 30.3.1967

No Brasil, de 1939 a 1967

Giorgio Mortara foi o demógrafo italiano que fugiu do fascismo e ajudou o Brasil de 1940 a mostrar a sua cara. Naquela época, já era considerado um dos mais brilhantes pesquisadores estatísticos da Itália, além de ser livre-docente em Estatística na Universidade de Roma. Não foi preciso pensar muito para dizer sim ao convite das autoridades brasileiras para ser consultor técnico da comissão que preparava o Censo daquele ano. Nosso último censo havia sido em 1920, vinte anos antes, além disso os registros de nascimentos eram precários. Mortara teve a sensibilidade de conjecturar, intuir, adaptar sua experiência europeia com tradição em censos com informações precisas à realidade brasileira, mas não só. Os métodos e as ferramentas que desenvolveu serviram de modelo para outros países da América do Sul. Em 1948 surgiu o atual IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, onde Mortara colaborou muitos anos, deixando uma obra de 973 títulos. Além de reverenciar o legado desse italiano ao Brasil, o podcast traz o tema para a atualidade, discutindo o envelhecimento da população brasileira e a chamada geração prateada, com a participação do professor José Eustáquio Diniz Alves, especialista no assunto.

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Foto: Álbum de família,
cortesia da artista

6 - Agi Straus

artista plástica

Viena, 12.7.1926 - São Paulo, 14.1.2022

No Brasil, de 1938 a 2023

A austríaca Agathe Deutsch desembarcou no porto do Rio de Janeiro aos 12 anos e ficou maravilhada com o centro da cidade. Antes, passou por momentos de angústia e desespero com a família judia durante a fuga de Viena para Paris. Quase foram deportados durante um controle de passaporte pelos nazistas no trem em que viajavam. A família foi morar em São Paulo. Agi estudou no MASP com Poty e Darel, aprofundou-se em escultura com o polonês Jan Zamoyski, também refugiado. Junto com Gaetano Miani, criou um grande afresco no Palácio do Café. Além de dirigir a Escola Agi para crianças, durante seis anos, de 1964 a 1970, foi desenhista do Suplemento Literário do jornal O Estado de S. Paulo. Em 2025 foi publicado um livro sobre sua obra. A filha Miriam, que organizou o acervo de Agi, participa do podcast e ajuda a reconstituir a trajetória da artista, que inclui prêmios em vários salões paulistas e exposições em Nova Iorque, Milão e Kioto, no Japão.

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